Despertar a consciência crítica e profética dos jovens cristãos, para que vivam consistentemente a partir da cosmovisão bíblica.

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Velhos conceitos para novos tempos

quinta-feira, 30 de setembro de 2010 comentários
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Lutero e as 95 teses
Estamos no último dia de Setembro, e o mês de Outubro sempre traz a lembrança - pelo menos para alguns - da Reforma Protestante.

Falar sobre a RP pode ser uma bênção e uma maldição. Explico: é maldição quando não se entende adequadamente a proposta reformada, caindo em legalismos e outras posturas ridículas.  Se você precisa de exemplos, basta lembrar dos que se consideram mais reformados do que crentes, e por isso vivem com o seu senso crítico no nível máximo. Nada é "reformado o suficiente" para eles, e bom mesmo é aquilo que tem "cara de século 16". Esses caras conseguem passar dias discutindo a diferença entre ser reformado e calvinista, ou perguntando-se a si mesmo se um batista pode ser um reformado. Com esta série de posturas tolas, afastam-se cada vez mais da proposta calvinista.

Mas nem tudo é maldição. Falar da Reforma pode ser uma grande bênção, na medida em que mergulhamos na tradição dos Solas - Scriptura, Gratia, Fide, Christus, Deo Gloria. É bênção que nos leva a amar a cultura e buscar comunicar o evangelho a ela. Indica-nos uma proposta missiológica poucas vezes vista na história da Igreja. Ensina sobre um amor a Deus e à Igreja, em tempos de decepção e antiinstitucionalismo. Falar sobre a Reforma é resgatar o pensamento daqueles que conheciam um Deus soberano, e com Ele viviam.

São esses velhos conceitos que precisam de destaque e aplicação nos novos tempos.
Para isso, a AJR está programando um encontro especial às vésperas do aniversário da Reforma Protestante.

Fique ligado.
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Resposta ao Douglas Rezende e Cia. [final]

segunda-feira, 9 de novembro de 2009 comentários
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Por Allen Porto

Senhores,

Há muito para fazer e pouco tempo [ou o uso que eu faço dele é que é ruim mesmo...]. Digo isso para explicar que por ora não vai ser possível uma resposta mais meticulosa e detalhada ao Douglas e aos demais que se incomodaram com o artigo “Missões e(m) crise” - especificamente o segundo tópico, que trata do esquerdismo.

O clima de animosidade percebido em alguns comentários, posts e e-mails também não é saudável, e me desestimula na continuidade desta discussão. Não que eu pare de falar sobre algo porque alguém não está gostando do que eu digo, mas quando um clima de inimizade começa a se formar, talvez seja adequado pelo menos dar uma pausa na conversa.

Dito isto, resumirei a minha resposta a este sucinto post – possivelmente incompleto para alguns, falho para outros, covarde, ainda, para terceiros.

Se eu fosse transcrever cada trecho a que pretendo responder, esse post ficaria gigante. Então peço a paciência de vocês: se quiserem acompanhar cada resposta dentro do contexto, leiam primeiro, ou paralelamente, os escritor de quem eu estou respondendo. Também não responderei aos comentários sobre mim (refiro-me aos mais pessoais) – não seria interessante para ninguém.

Às respostas:

Discordo de Douglas Rezende pelas seguintes razões:

1.O “completamente equivocado” do texto por ele publicado não diz com clareza quais os trechos errados do parágrafo, para que a situação seja devidamente analisada. Ou, por outro lado, ele pode estar dizendo que o parágrafo inteiro está equivocado – o que não pode ser sério, pois pelo menos as informações de que ele deu entrevista ao podcast renovatio café, e participa da rede FALE, são públicas e incontestáveis. A informação de que ele trabalha a partir da perspectiva esquerdista também é verossímil: é por ele apresentada com clareza categórica no podcast;

2.Os trechos bíblicos por ele apresentados devem ser compreendidos dentro do seu contexto.

3.Reconheço, como o Douglas, que os pobres precisam ser amados e ajudados de maneira ampla pelos cristãos. Reitero, porém, que os textos bíblicos por ele mencionados tratando dos pobres, não o fazem segundo a cosmovisão esquerdista, que enxerga a sociedade polarizada entre ricos e pobres, burguesia e proletariado. Não buscam criar uma inimizade entre “classes”, mas a integração amorosa.

4.A crítica do texto de Isaías não coloca sobre o Estado o direito (nem a obrigação) de violar a propriedade privada dos cidadãos. Reconheço que o problema da terra deve ser cuidadosamente analisado e repensado, para que os desabrigados tenham onde morar. Ainda assim, o fundamento bíblico para isso não está em Isaías, pois este não trata do papel estatal. A função do Estado é estabelecida em textos como Rm. 13 – punir os maus e proteger a liberdade dos cidadãos.

Para os que ouviram a entrevista dele no podcast, apenas direi que discordo da visão que os sem-terra não trabalham na ilegalidade. Os eventos recentes de invasão, vandalismo, e as lesões corporais demonstram a quebra da legalidade.

O Caio Marçal comentou no blog da Aliança Jovem Reformada. Respondo:

5.Discordo que seja necessária uma declaração taxativa para indicar os compromissos ideológicos de indivíduos ou grupos. Ainda assim, nada foi afirmado sobre a rede FALE em si.

O Gito comentou no blog da AJR e escreveu um post de resposta em seu blog. Respondo:

6.Alterei a informação sobre a sua filiação à JOCUM. Ainda assim, isto não altera o sentido do trecho, que se refere ao seu pensamento, e não ao da JOCUM.

7.Concordo que missões devem ser pensadas com os aspectos sociais que as envolvem. O texto não negou isso.

8.Discordo que todas as ações em prol do pobre sejam atribuídas a uma ação esquerdista. Há quem faça isso hoje livre das pressuposições marxistas. A história da Igreja também é cheia de exemplos nesse sentido.

9.Pela leitura do texto, vejo que a tese do Gito girou toda em torno da ação em prol dos pobres. Eu não escrevi nada contra a ação social em direção a eles, então o autor atacou apenas a caricatura que ele criou do que eu escrevi. Pensamos da mesma maneira no que diz respeito a amar os necessitados.

10.A sentença “Esta é a minha afirmação política: Não tenho partidos, sou discípulo de um prisioneiro político” do Gito sugere alguma neutralidade em questões políticas. Discordo que isto exista. Os pressupostos dele o norteiam e estabelecem uma maneira de ver a realidade em todos os seus aspectos – inclusive o político.

11.Se o Gito tivesse observado melhor o artigo completo, ou o blog em si, veria que a ABU e outros expoentes, como ele menciona, não foram ignorados. Ainda assim, discordo que eles necessariamente teriam que ser mencionados para demonstrar o ponto. Se a idéia era indicar que há missionários influenciados pelos pressupostos de esquerda, bastava indicar alguns deles, e não todos.

12.Concordo que “tem gente trabalhando com os pobres faz tempo!”. Mas isso não tem nada a ver com o que eu escrevi.

13.Concordo que “tem gente chamando essa moçada de 'gente de esquerda' faz tempo!” - mas muitos deles assumem abertamente que são esquerdistas(ou seja, eles não precisam que ninguém os chame assim) – cf. a minha pequena entrevista com o Ariovaldo Ramos.

14.Discordo que ilustrar idéias com as “pérolas” do blog do Gito seja pouco. A menos que alguém esperasse outro objetivo do texto. Para os fins pretendidos, os exemplos foram adequados.

A Soninha comentou no blog da AJR. Respondo:

15.Discordo que o termo tragédia aplicado às consequências do esquerdismo para os cristãos deva ser usado entre aspas, como ela faz. Os cristãos perseguidos nos países socialistas/comunistas diriam que aquilo foi, de fato, uma tragédia.

16.Concordo que muitos dos missionários com a perspectiva de esquerda têm saído da zona de conforto – atitude que merece louvor. Isso não foi questionado no artigo.

Assim concluo a conversa sobre esse artigo, que, após a revisão final será publicado na seção de artigos e publicações no menu em cima.

A minha expectativa é que as conversas sobre esses itens produzam reflexão, e não mágoas.

Pelo Rei, e pelo Reino,
Allen Porto
SDG
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Respostas ao Douglas Rezende e cia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009 comentários
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por Allen Porto

Além do Douglas, outras pessoas se ofenderam com o que escrevi, e, ou postaram comentários, ou enviaram e-mails que merecem alguma resposta.

Antes de postar qualquer coisa, algumas palavras de abertura merecem atenção:

  1. A intenção do que escrevo não é ofender gratuitamente ninguém. Acreditem, se fosse para simplesmente falar mal, eu utilizaria termos mais pesados.

  2. Ainda assim, sei que pessoas se incomodarão com o que escrevo, especialmente quando confrontam pontos comuns, ou aqueles aos quais determinados grupos se apegam com maior firmeza.

  3. O fato de alguém se incomodar ou não com o que escrevo não será o critério final para eu publicar ou deixar de publicar algo.

  4. Aos que se incomodarem e fizerem contato, na medida do possível será buscado um meio de solução de conflitos, com a possível continuidade do diálogo.

  5. Se a solução do conflito estiver condicionada à minha mudança em aspectos que considero fiéis à Escritura, nada poderá ser feito, a não ser a exposição do pensamento de quem discordo, com as devidas críticas a ele.

  6. Com esta tentativa de solucionar os problemas, pretendo demonstrar que o objetivo dos posts é promover a consciência sobre determinados assuntos, em um clima de amor cristão – amor necessário mesmo para falar palavras duras.

  7. Rejeito a agenda do politicamente correto, que utiliza de meias palavras não como expressão de respeito a alguém, mas como tentativa de manipulação. Rejeito as mordaças da “política de boa vizinhança” que não age com transparência e honestidade, e assim não possibilita o tratamento real das questões.

  8. Ao mesmo tempo, acredito que as críticas devem ser postadas com prudência, na proporção da seriedade do que advogam.

Talvez eu pudesse/devesse acrescentar mais itens a esta declaração. Mas ela ficaria extensa demais, e os pontos apresentados indicam o “clima” dos meus comentários e críticas já postados, e dos que ainda virão. Todos devem ser interpretados a partir desta declaração para serem adequadamente compreendidos, pois talvez um leitor desavisado possa interpretar as minhas palavras conforme a sua sensibilidade psicológica, e assim veja em mim um cão raivoso escrevendo palavras em fúria descontrolada.

Não é nada disso, prometo.

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Missões e(m) Crise [2]

quarta-feira, 4 de novembro de 2009 comentários
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Continuação, por Allen Porto


  1. O ESQUERDISMO

A militância de esquerda também invadiu os arraiais de grupos evangelísticos e missionários. Para um líder de minha cidade, que exerce grande influência sobre um grupo de evangelismo universitário, a Reforma legítima foi a dos anabatistas, que buscaram a revolução como meio de transformação social.

Isso ilustra o cenário das missões entre jovens. Como a mentalidade da esquerda invadiu as universidades nacionais, foi assimilada pelos missionários, que, ao buscarem implementar sua visão de reino, importaram padrões socialistas/comunistas/marxistas.

O movimento missionário como desbravador de novos campos, inclusive nas missões urbanas, exigiu pessoas de caráter mais engajado e ativo, muitas das quais possuíam a ideologia marxista[3] como base de seu comportamento “revolucionário”.

Uma simples pesquisa na internet mostra o ponto: O site da JOCUM – DF, está recheado de artigos em prol do movimento estudantil[4], ecologismo[5], revanchismo pós-ditadura e antimilitarismo[6].

No podcast que flerta com a igreja emergente, o renovatio cafe, há uma entrevista com Douglas Rezende, da rede FALE[7], na qual são reforçados conceitos do esquerdismo, com o apoio ao grupo revolucionário de esquerda, o MST. O diálogo entre os interlocutores demonstra total concordância sobre o assunto, como se fosse verdade pacífica e absoluta sobre a questão.

O blog do ex-jocumeiro Gito[8] é outra pérola do esquerdismo missionário. Ali são divulgados vídeos de Michael Moore[9] (mesmo que os seus documentários tenham sido desmentidos publicamente), e pensamentos de outros ícones do ideário marxista, como Frei Betto, Leonardo Boff, e cia[10].

Há preço a ser pago por esta infusão de esquerdismo no sangue missionário. As idéias estão relacionadas, e uma perspectiva marxista aplicada ao contexto de missões reduzirá a compreensão da religião, do evangelho, da política, e da realidade social. O marxismo é um pacote de idéias, que traz consigo implicações para o todo da vida. Mais ainda: os resultados desta cosmovisão para o evangelho foram trágicos em todas as suas aplicações históricas.

Ninguém aprendeu essa lição?

Ainda assim, o grupo da Avalanche Missões Urbanas Underground [11]– parceiro da visão dos missionários acima – vai oferecer um curso de política e história. Mais uma escola para a doutrinação esquerdista de missionários.





[3] Para uma análise cristã e pressuposicionalista sobre o marxismo, cf. NORTH, Gary. La Religión Revolucionaria de Marx: La regeneración por medio del caos. Tyler, Texas: Instituto para la Economia Cristiana, 1990. North afirma, sem meias palavras, que “Entre o cristianismo e o marxismo não pode haver um diálogo significativo. [...] Nem o marxista nem o cristão consistentes podem esperar que haja uma reconciliação entre os dois sistemas; é uma questão de guerra intelectual sem trégua. [...] A questão é basicamente um conflito na esfera da fé” (p.2, tradução livre).

[4] http://www.jocumdf.com/artigos/o-movimento-estudantil-na-historia-do-brasil/

[5] http://www.jocumdf.com/artigos/ecologia-e-cristianismo/

[6] http://www.jocumdf.com/destaques/impacto-7-de-setembro/

[7] http://www.renovatiocafe.com/index.php/Table/Renovatio-Cafe/Podcast/.vDouglas Rezende é articulador da "rede FALE" em Curitiba, e membro do grupo “Evangélicos Pela Justiça”. A rede FALE tem estabelecido parcerias com a ABU – cf. http://redefale.blogspot.com/2009/08/fale-nos-cursos-de-ferias-da-abub.html.

[8] http://giito.blogspot.com/

[9] http://giito.blogspot.com/2009/07/michael-moore-em-cuba.html

[10] Cf. o vídeo simpatizante do comunismo no post de 11 de Setembro.

[11] http://www.avalanchemissoes.org/

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Problemas e soluções - missões em crise

comentários
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Os posts sobre as missões em crise geraram alguns conflitos interessantes. Um deles se deu com uma das pessoas citadas no tópico sobre o esquerdismo - o Douglas Rezende, da Rede FALE de Curitiba.

Para solucionar o problema, usarei o seguinte expediente:

1. Republicarei o post com algumas alterações - para comparar, veja o post anterior missões e(m) Crise pt.2;

2. Publicarei um texto de resposta que o Douglas preparou;

3. Tecerei as minhas críticas ao Douglas, à sua postura, e às suas idéias.

Fiquem ligados.
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greve e redenção

quarta-feira, 30 de setembro de 2009 comentários
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por Allen Porto

O Maranhão entrou em um estranho processo de paralisia nas últimas semanas. Um tsunami de greves invadiu o estado e provocou muito incômodo.

Os correios pararam, os médicos decidiram lutar contra os planos de saúde, os bancários ainda pedem reajuste de salário, alguns policiais decidiram "guardar as armas", e outros professores articulam sua pausa.

Como a sociedade civil deve encarar tal fenômeno? Como a igreja - composta de pessoas comuns - tem pensado e analisado estes movimentos no cenário maranhense? Como tais problemas podem ser solucionados? Quais são as questões reais a serem tratadas?

Talvez a igreja institucional não tenha o poder de mediar tais situações. Digo talvez, porque em alguns casos ela pode se envolver mais diretamente. Ainda assim, a igreja difusa (por seus membros) pode - e deve - envolver-se em tais problemas, e contribuir para a sua solução a partir de uma visão cristã de mundo.

Nesse "balaio de gatos", trabalhadores cristãos poderiam pensar os interesses de sua "categoria" (luto muito pra usar expressões que me lembrem os barbudos esquerdistas) e negociar com empregadores com amor e desejo de cumprir a sua vocação diante de Deus. Os patrões, por outro lado, poderiam exercer o mesmo amor, não colocando o lucro acima das pessoas, e compreendendo que, mesmo para uma boa produção, é importante ter funcionários satisfeitos.

Na esfera do serviço público, administradores cristãos poderiam pensar a gestão com a sabedoria bíblica - sem jeitinhos ou falcatruas. Operadores do Direito - advogados, defensores, procuradores, promotores e juízes - poderiam atuar em sua respectiva esfera com a visão da justiça imutável que brota da Escritura. Os advogados não buscariam simplesmente o interesse de seus clientes, mas o fariam com integridade, os promotores lutariam pelo interesse público e os juízes julgariam com discernimento.

Como nós tempos participado desse debate, e contribuído para o nosso contexto?
Quão marcados estão os nossos joelhos por orarmos pelos nossos próximos?

Alguns dirão que esta visão é utópica demais. Desafio a estes tantos, e aos demais, que participem do debate, e provem o seu ponto.
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Missões e(m) crise [6]

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto

CONCLUSÃO: Uma questão de visões de mundo

O debate sobre as práticas de missionários isolados, equipes missionárias e todos tratados ao longo desta análise indica algo maior, que perpassa as condutas erradas – a perspectiva errada sobre a realidade, ou sobre determinada parte da realidade.

Nesse sentido, não é saudável apenas abandonar as práticas arminianas, como as estratégias de convencimento e persuasão pura e simplesmente, ou os elementos esquerdistas, como panfletos e protestos “contra o sistema”, ou ainda os discursos que revelam o cientificismo.

O problema é maior, e deve ser trabalhado na raiz: a luta de cosmovisões existentes na adoção de tais práticas. Não basta rasgar os panfletos revolucionários, é preciso compreender a perspectiva bíblica sobre o governo e o papel do cristão. Não basta rejeitar folhetos arminianos, é preciso perceber e adotar uma visão bíblica da salvação. Não basta começar práticas isoladas de resistência em um ou outro item, se a visão unificadora de mundo não brotar das Escrituras.

Enquanto a mentalidade de missionários estudantis caminhar lado a lado com noções anti-bíblicas a respeito da ciência, do Estado, da salvação, e do Evangelho como um todo, mesmo os seus esforços para resistir determinadas práticas será inútil, pois em outro momento a visão de mundo distorcida se mostrará em toda a sua força.

Qual a proposta para os problemas levantados? Uma revisão profunda da cosmovisão dos missionários e suas instituições. Uma reciclagem bíblico-teológica que envolva cada aspecto da vida. Um auto-exame honesto (doloroso) e constante, a fim de adotar uma percepção da realidade segundo a Palavra de Deus.

Não é suficiente listas novas “regras de evangelização” – é preciso pensar biblicamente. Só assim a prática verdadeiramente missionária será resgatada, os cristãos viverão um estilo de vida missional, e a crise se transformará em saúde.
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Missões e(m) crise [5]

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto

5 A REDUÇÃO DO EVANGELHO A QUESTÕES SOCIAIS

Este último problema a ser comentado decorre de outros dois anteriores. A redução do evangelho a práticas sociais, como a ajuda aos pobres, é fruto da «esquerdização» do evangelho, bem como do irracionalismo da neo-ortodoxia.

Alister McGrath[24] demonstra o perigo do marxismo em sua filosofia materialista: «idéias, incluindo as religiosas, são respostas à realidade material». O materialismo, pressuposto da perspectiva esquerdista, leva as suas implicações para aqueles que desejam fazer síntese entre o evangelho e o esquerdismo. Como consequência, a esfera sobrenatural e metafísica vai perdendo o lugar – embora ainda esteja presente nos credos – e sendo substituída por uma visão cada vez mais centrada nas necessidades materiais e terrenas do homem.

Lenin[25] afirmou que «o trabalhador de hoje que possui consciência de classe [...] deixa o céu para os sacerdotes e burgueses hipócritas. Ele luta por uma vida melhor para si mesmo, aqui na terra». Esta visão é assimilada por jovens evangelistas, cuja pregação está voltada para temas da agenda ideológica, sem muita preocupação com a eternidade e a alma humana. Preocupam-se tanto com a transformação terrena que esquecem de falar de arrependimento e conversão. Amam tanto os oprimidos, que conferem-lhes o grau de santos, independemente de sua confissão e prática.

A influência da teologia da libertação neste quesito é notável. Embora ainda se considerem evangélicos, e assim mantenham certa distância dos autores de outras igrejas, homens como Leonardo Boff, Frei Betto e cia. são vistos como heróis por seu engajamento social. A teologia deles é recebida e legitimada por sua prática nas lutas humanas[26]. Gary North[27] trata da teologia da libertação como uma religião política – uma adaptação do marxismo à esfera religiosa, em prol do comunismo. Stanley Grenz[28] descreve o pensamento do teólogo Gustavo Gutiérrez como uma linhaque busca a reinterpretação da salvação: «Nos dias de hoje, especialmente na América Latina, a salvação deve ser reinterpretada em termos qualitativos – como um compromisso com a transformação social –, pois esta é a 'única maneira de termos um encontro com Deus'».

A neo-ortodoxia também caminha para o «evangelho social». Não é difícil traçar o caminho trilhado neste campo: aceita-se a contradição como natural no evangelho, e assim a noção de verdade é destruída. Uma vez perdida a verdade, as certezas se vão, uma após a outra, até sobrar apenas uma expressão social do evangelho – a única manifestação palpável de alguma crença.

Não importa mais a discussão de doutrinas e o ensinamento de «bases da fé». O que resta é a ação em direção aos nossos semelhantes. O existencialismo adotado por teólogos desta linha se adequa perfeitamente a esta noção, que busca se aproximar do homem e compreendê-lo em suas crises existenciais.

O que melhor para ajudar o homem de maneira «concreta», do que o auxílio financeiro ou algo desta ordem?

E assim o evangelismo deixa de ser a proclamação da verdade salvadora de Deus, para se transformar em um conjunto de práticas sociais, destituídas de qualquer mensagem: a prática pela prática.

______________________________________
[24]MCGRATH, Alister. Apologética Cristã no século XXI. São Paulo: Vida, 2008.p.273.
[25] LENIN apud. MCGRATH, Alister.Op. Cit., p.275.
[26] Cf. O tópico «esquerdismo», que demonstra sites de missionários que recomendam a leitura dos teólogos da libertação.
[27] NORTH, Gary. Liberando la tierra ¿Regeneración o revolución? Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1987.
[28] GRENZ, Stanley. A Teologia do Século XX: Deus e o mundo numa era de transição. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p.265.

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Missões e(m) crise [4]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto
  1. O ANTI-INTELECTUALISMO

Enquanto existem pessoas comprometendo o Evangelho com o cientificismo, há outro extremo adotado por grupos de missões estudantis. Diametralmente oposto ao «racionalismo cientificista» está o anti-intelectualismo.

Não se questiona a intenção de tais missionários/evangelistas. Muitos são sinceros em sua abordagem, outros apenas assimilaram algumas premissas pós-modernas, e assim a síntese entre perspectivas antibíblicas e o evangelho é realizada – com prejuízo para o cristianismo.

John Stott[16] fala de cristãos que possuem «zelo sem conhecimento, entusiasmo sem esclarecimento». Segundo sua análise[17],

o espírito de anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno multiplicam-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: 'é verdade?' mas sim: 'será que funciona?'. Os jovens têm a tendência de ser ativistas, dedicados na defesa de uma causa, todavia nem sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou se o modo como procedem é o melhor meio para alcançá-lo.

Com o pragmatismo, Stott[18] denuncia também a tendência anti-intelectual de alguns grupos pentecostais, que colocam a experiência acima da revelação. Muitos jovens em movimentos estudantis participam de igrejas com tal perspectiva, e assim, no desejo evangelístico, rejeitam o conhecimento na alegação de «revelações» e outras experiências mágicas.

Outro John, agora o MacArthur[19] demonstra como o pós-modernismo também influencia a mentalidade contemporânea. A idéia de contradição parece ser rejeitada pela perspectiva do pós-modernismo.

As pessoas da atualidade são ensinadas a glorificar a contradição, a abraçar o que é absurdo, a preferir o que é sujetivo e a permitir que os sentimentos (em vez do intelecto) determinem o que eles crêem. Elas são ensinadas a não rejeitar idéias apenas porque contradizem o que nós aceitamos ser verdadeiro. E elas são até mesmo encorajadas a abraçar conceitos contraditórios e mostrar-lhes o mesmo respeito como se fossem verdadeiros. Tal irracionalidade não nada menos do que rejeitar o conceito da verdade.

Sua argumentação também envolve algo da teologia contemporânea, ou da Nova Teologia, como a chamava Francis Schaeffer[20]. A confusão sobre a «racionalidade da verdade» tem apoio na neo-ortodoxia, para MacArthur[21]:

Os teólogos neo-ortodoxos insistiam que o Cristianismo é um sistema de crença irracional – uma religião do 'paradoxo'. O que eles estavam realmente dizendo é que o Cristianismo é cheio de contradições.Paradoxo é uma designação errônea no sentido em que eles o usavam. [...] quando os neo-ortodoxos usam o termo paradoxo eles estão falando de uma contradição real. Eles consideram toda verdade como irracional, contraditória e absurda à mente lógica. No sistema deles, fé implica no abandono da lógica. É um pulo cego no abismo do irracionalismo. Eles emprestaram seu irracionalismo da filosofia existencial e fizeram dele uma marca registrada de sua teologia. Ao fazer isto, eles lançaram fundamentos para uma versão pós-moderna do Cristianismo.

A teologia existencialista ganha espaço entre os jovens cristãos, que flertam com aspectos da teologia Barthiana, com Paul Tillich, e agora com conceitos da Igreja Emergente, representados por Brian Mclaren e Rob Bell.

Somos, assim, forçados a concordar com Harry Blamires[22], que afirmou categoricamente: «Não existe mais uma mente cristã». Sem tal racionalidade, somos deixados à mercê de iniciativas ingênuas e infrutíferas, pois, ou não comunicam ao jovem universitário por rejeitarem a abordagem racional, ou são inúteis por se renderem diante da mentalidade relativista, destruindo a perspectiva do Evangelho como verdade, e tornando-o apenas mais uma opção no mercado da espiritualidade.[23]

_________________

[16] STOTT, John. Crer é também pensar. 2.ed. São Paulo: ABU editora, 2001. p.7

[17] Ibid.

[18] Ibid., p. 9.

[19] MACARTHUR JR., John. Princípios para uma cosmovisão bíblica: uma mensagem exclusivista para um mundo pluralista. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.

[20] SCHAEFFER, Francis. O Deus que intervém. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

[21] MACARTHUR JR., John. Op. Cit., p. 43.

[22] BLAMIRES, Harry. A mente cristã: como um cristão deve pensar?. São Paulo: Shedd Publicações, 2006.

[23] Para mais leituras sobre o assunto, cf. MACGRATH, Alister. Apologética Cristã no século XXI. São Paulo: Vida, 2008.; MACARTHUR, John. The Truth War: fighting for certainity in an age of deception. Nashville: Thomas Nelson, 2007. (há uma tradução desta obra para o português, pela editora Fiel); NASH, Ronald. Questões últimas da vida: uma introdução à filosofia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. Para um diagnóstico do declínio intelectual dos nossos tempos, cf. BLOOM, Alan. O declínio da cultura ocidental: da crise da universidade à crise da sociedade. São Paulo: Best Seller, 1989.

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Missões e(m) crise [3]

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto

  3. O CIENTIFICISMO

Por cientificismo, refiro-me à perspectiva que define o conhecimento científico como padrão último da realidade, rejeitando qualquer proposição não atestada cientificamente.

Alguns jovens cristãos, com o profundo desejo de adotarem uma abordagem relevante para os universitários, acabam por utilizar o método científico conhecido dos estudantes. Buscam os “pontos de contato” entre a ciência e a fé cristã, a fim de afirmar que o cristianismo é verdadeiro.

Ainda nesta corrente, outros jovens modificam a sua leitura da Bíblia, condicionando-a às teorias e perspectivas de autores das ciências sociais, biologia, entre outros campos.

Há, assim, dois erros básicos que partem do mesmo princípio: (1) A ciência é colocada como superior ao cristianismo, sendo o elemento que tem autoridade para legitimá-lo ou não; e (2) os temas levantados pela Escritura devem ser entendidos à luz do que a ciência afirma. Um erro vem antes do contato com o Evangelho, o outro vem depois.

Por trás destes exemplos repousa a mentalidade dicotômica da modernidade: A religião trata de valores, enquanto a ciência lida com fatos[12]. Entre fatos e valores, o que é mais confiável? Sem dúvida, os fatos. A sutileza desta perspectiva pega desprevenidos mesmos cristãos ortodoxos. Como demonstra Nancy Pearcey[13], esta cosmovisão tem sido trabalhada em nós desde a infância, de modo que se torna difícil romper com tal dualidade[14].

Quem lida com universitários ou deseja dialogar com o pensamento científico deveria compreender que nenhuma teoria possui a neutralidade afirmada – todas possuem um ponto de partida que revela pressuposições de rebelião ou submissão a Deus[15].

O cientificismo destrói a iniciativa evangelística porque ele coloca a ciência acima do cristianismo – e assim o cristianismo se torna dispensável (por haver algo melhor) –, ou por destruir a interpretação fiel da Escritura – a mensagem salvadora de Deus, na qual está o Evangelho.




[12] Cf. PEARCEY, Nancy. Verdade absoluta: libertando o cristianismo do seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p.23

[13] Ibid.

[14] Pearcey (2006) trabalha com os dualismos secular/sagrado, fato/valor e público/particular.

[15] Para mais leituras sobre o assunto, cf. SIRE, James. O universo ao lado. São Paulo: Hagnos, 2004; CRAMPTON, Gary; e BACON, Richard. Em direção a uma cosmovisão cristã. Brasília: Publicações Monergismo, 2009.



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Missões e(m) Crise [2]

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 comentários: 7
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Continuação, por Allen Porto


  1. O ESQUERDISMO

A militância de esquerda também invadiu os arraiais de grupos evangelísticos e missionários. Para um líder de minha cidade, que exerce grande influência sobre um grupo de evangelismo universitário, a Reforma legítima foi a dos anabatistas, que buscaram a revolução como meio de transformação social.

Isso ilustra o cenário das missões entre jovens. Como a mentalidade da esquerda invadiu as universidades nacionais, foi assimilada pelos missionários, que, ao buscarem implementar sua visão de reino, importaram padrões socialistas/comunistas/marxistas.

O movimento missionário como desbravador de novos campos, inclusive nas missões urbanas, exigiu pessoas de caráter mais engajado e ativo, muitas das quais possuíam a ideologia marxista[3] como base de seu comportamento “revolucionário”.

Uma simples pesquisa na internet mostra o ponto: O site da JOCUM – DF, está recheado de artigos em prol do movimento estudantil[4], ecologismo[5], revanchismo pós-ditadura e antimilitarismo[6].

No podcast que flerta com a igreja emergente, o renovatio cafe, há uma entrevista com Douglas Rezende, da rede FALE[7], ligada a movimentos como a ABU, na qual são reforçados conceitos do esquerdismo, com o apoio a grupos criminosos, como os sem-terra. O diálogo entre os interlocutores demonstra total concordância sobre o assunto, e rejeição de quem discorda, considerados “antiquados” ou desinformados.

O blog do jocumeiro Gito[8] é outra pérola do esquerdismo missionário. Ali são divulgados vídeos de Michael Moore[9] (mesmo que os seus documentários tenham sido desmentidos publicamente), e pensamentos de outros ícones do ideário marxista, como Frei Betto, Leonardo Boff, e cia[10].

Há preço a ser pago por esta infusão de esquerdismo no sangue missionário. As idéias estão relacionadas, e uma perspectiva marxista aplicada ao contexto de missões reduzirá a compreensão da religião, do evangelho, da política, e da realidade social. O marxismo é um pacote de idéias, que traz consigo implicações para o todo da vida. Mais ainda: os resultados desta cosmovisão para o evangelho foram trágicos em todas as suas aplicações históricas.

Ninguém aprendeu essa lição?

Ainda assim, o grupo da Avalanche Missões Urbanas Underground [11]– parceiro da visão dos missionários acima – vai oferecer um curso de política e história. Mais uma escola para a doutrinação esquerdista de missionários.





[3] Para uma análise cristã e pressuposicionalista sobre o marxismo, cf. NORTH, Gary. La Religión Revolucionaria de Marx: La regeneración por medio del caos. Tyler, Texas: Instituto para la Economia Cristiana, 1990. North afirma, sem meias palavras, que “Entre o cristianismo e o marxismo não pode haver um diálogo significativo. [...] Nem o marxista nem o cristão consistentes podem esperar que haja uma reconciliação entre os dois sistemas; é uma questão de guerra intelectual sem trégua. [...] A questão é basicamente um conflito na esfera da fé” (p.2, tradução livre).

[4] http://www.jocumdf.com/artigos/o-movimento-estudantil-na-historia-do-brasil/

[5] http://www.jocumdf.com/artigos/ecologia-e-cristianismo/

[6] http://www.jocumdf.com/destaques/impacto-7-de-setembro/

[7] http://www.renovatiocafe.com/index.php/Table/Renovatio-Cafe/Podcast/

[8] http://giito.blogspot.com/

[9] http://giito.blogspot.com/2009/07/michael-moore-em-cuba.html

[10] Cf. o vídeo simpatizante do comunismo no post de 11 de Setembro.

[11] http://www.avalanchemissoes.org/

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Missões e(m) crise [1]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto
1. O ARMINIANISMO

Há sério problema no evangelismo arminiano¹ . Considerando o homem capaz de se mover em direção a Deus, o arminianismo adota técnicas e estratégias para fazer o interlocutor “tomar uma decisão”.

Neste esquema se encontram os clichês comuns do evangelicalismo – do “Jesus te ama” ao “você sabe se vai estar vivo amanhã?”, passando pelo “já pensou o que é ficar a eternidade no inferno?”.

A argumentação é voltada para o convencimento, e por isso pode ceder à tentação de utilizar estratégias desonestas de persuasão. Seja a pressão emocional, o constrangimento, a súplica, ou a enganação, tudo é válido para salvar pessoas.

O contraponto bíblico para esta perspectiva repousa sobre o fato de que o homem não é considerado capaz de “tomar uma decisão” em direção a Deus no que diz respeito à sua salvação². A Escritura demonstra a depravação da humanidade, e indica a escravidão do homem ao pecado e sua rebeldia contra Deus.

A menos que Deus opere no indivíduo, rompendo a rebeldia e habilitando o homem a amá-lO, a salvação é impossível. Como Deus faz isso? Por meio da ação do Espírito Santo na pregação.

Portanto, a perspectiva adequada do evangelismo é a salvação, mas não para o convencimento do homem, e sim para a operação do Espírito no indivíduo. Deus é quem salva, o homem não liberta a si mesmo.




¹O arminianismo é definido pelo Dicionário de Teologia – Edição de Bolso (GRENZ et. al., 2000) como “sistema teológico desenvolvido sobretudo em reação às visões luterana e principalmente calvinista a respeito da doutrina da predestinação”. Segundo a descrição de Anglada (2000), “o arminianismo defende o livre-arbítrio ou a capacidade humana” (p.4); “crê na eleição condicional; na eleição baseada na presciência de Deus” (p.5); “crê na expiação geral (redenção universal)” (p.6); “crê na graça resistível. Ou seja, que depende do pecador permitir que a graça de Deus o alcance, ou resistir a ela” (p.6); e “os arminianos crêem na instabilidade da salvação; que a salvação pode durar, ou não, dependendo da própria determinação humana” (p.7). – Para consulta: GRENZ, Stanley, et. al. Dicionário de Teologia - Edição de Bolso. São Paulo: Vida, 2000. ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As antigas doutrinas da Graça. 2. ed. São Paulo: Os Puritanos, 2000.

²Cf. textos que demonstram a inaptidão humana ou a perversão das faculdades do homem: Gn.8.21; Sl.14.2; Sl.51.5; Sl.58.3; Jr.17.9; Jo. 8.34; Jo.5.40; Rm.3.9-12; 1Co.2.14; Ef.2.1,5; 2Co.4.4, entre outros.

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Missões e(m) Crise [0]

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Por Allen Porto

A minha história com movimentos de evangelismo/missões não é tão intensa, mas tem os seus registros. Ainda criança, participei do grupo de missões estudantis chamado Siloé, que funciona em um colégio batista da cidade. O grupo é um tipo de ABS (aliança bíblica secundarista) em menores proporções. Na universidade, participei de encontros do Alfa e Ômega, conversei (pouco) com o grupo Caminho (estudantes de medicina da UFMA), e finalmente tive mais contato com os integrantes da ABU.

Tive, também, a oportunidade de dialogar com o pessoal das missões urbanas, especialmente os envolvidos com tribos e a galera underground. Em tal contexto, o Christian Metal Force e a Comunidade Zadoque tiveram maior destaque entre os meus contatos.

A paixão pelo evangelismo e o vigor missionário me impressionaram em muitos desses círculos. O desejo de ver pessoas glorificando a Deus, e o engajamento pessoal e compromisso em alto nível foram características marcantes desses jovens.

Vigor e empolgação não são tudo. A boa intenção que acompanha tais grupos, nem sempre é acompanhada de uma boa direção. Aqui surge o maior problema – em nível teológico, teórico ou metodológico, existem consideráveis dificuldades que podem atrapalhar consideravelmente a atividade missionária.

Tratemos, então, de observar e comentar alguns dos equívocos comuns e perigosos:

1. O arminianismo
2. O esquerdismo
3. O cientificismo
4. O anti-intelectualismo
5. A redução do evangelho a questões sociais
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Bate-papo com Ariovaldo Ramos

quarta-feira, 15 de julho de 2009 comentários
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por Allen Porto


Ariovaldo Ramos é conhecido no meio cristão por suas mensagens, e também por seu engajamento político. Nesta curta entrevista ele fala sobre sua postura progressista e o evangelho, bem como dá suas impressões sobre movimentos crescentes no Brasil.



Para baixar o arquivo em mp3, clique aqui.

A entrevista permitirá alguma discussões sobre a relação entre política e religião. Fique à vontade para nos enviar perguntas e comentários.
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Reforma e cosmovisão (3)

segunda-feira, 13 de julho de 2009 comentários
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por Allen Porto

Através da Bíblia, a vida em sua totalidade é pensada e ajustada aos desígnios de Deus, conforme o pensamento reformado. Os Registros do Cristianismo funcionam não como um livro de religião pura e simplesmente, mas como base para a existência. Tal realidade pode ser compreendida por meio da máxima reformada “Sola Scriptura”. Conforme tal lema, o documento bíblico tem autoridade máxima sobre a vida do cristão – é sua regra de fé e prática, a lei máxima sobre a qual devem operar os seus pensamentos e condutas nos mais variados aspectos de sua rotina. Conforme Costa (2000, p.17), “a partir da Palavra [os reformadores] passaram a pensar acerca de Deus, do homem e do mundo!”. Esta também é a compreensão de McGrath (2007, p.149), ao declarar a abrangência do princípio Sola Scriptura no contexto pré-Reforma e da Reforma.
(...) As Escrituras são tratadas como uma fonte divinamente concedida da Lei, dos princípios morais e dos preceitos para ordenar o comportamento humano (...). Em vários aspectos, os primeiros proponentes radicais do princípio da Sola Scriptura (como Wycliffe e Huss) podem ser vistos como homens que estenderam a abrangência das Escrituras de modo a abarcar a disciplina, bem como a doutrina, questionando, assim, os métodos dos decretalistas e dos juristas canônicos.

O Sola Scriptura se equipara ao princípio do Livre Exame defendido por Lutero. A idéia básica deste pensamento indica a necessidade de cada indivíduo ter contato direto com a Escritura e a partir deste ato particular formar suas convicções a respeito do mundo. Contrário à mentalidade católica medieval, o monge agostiniano preconizava a importância da Bíblia no idioma do povo e acessível a ele. De fato, a convicção da necessidade de contato individual com este Registro Cristão incentivou, em grande medida, a alfabetização e a reforma do sistema educacional promovida por Lutero na Alemanha e Knox na Escócia. Para que o povo pudesse ter intimidade com o Antigo e o Novo Testamento, era fundamental que soubesse ler. Assim foi determinada mais uma das ênfases da Reforma – a educação.
Há nestes relatos a conexão entre o valor atribuído à Bíblia e o impacto da Reforma nas diversas esferas do universo pós-medieval. Considerar o texto bíblico autoritativo sobre todos os elementos da vida humana insere o indivíduo em um contexto de integralidade, no qual as categorias “sacro” e “profano” são, se não por completo abandonadas, pelo menos redefinidas para que cada fragmento existencial seja envolvido sob o manto unificador da cosmovisão cristã.
Pensar em termos da weltanschaunng bíblica – embora a expressão seja posterior à Reforma – possibilita a compreensão da pluralidade do movimento protagonizado por Zuínglio e os demais pensadores do novel protestantismo. O termo “cosmovisão” (weltanschaunng, worldview) – cunhado por Kant, conforme Souza (2006, p.41) – encaixa-se perfeitamente na noção desenvolvida pelos reformadores, especialmente da ala calvinista. Na esteira de tal tradição surgiu, no fim do século XIX o pensamento depois categorizado como neocalvinismo holandês ou filosofia reformacional, buscando enfatizar a integralidade de uma visão cristã de mundo.
Muitos são os estudos a destacarem o papel da Reforma como influenciadora das artes, incentivadora das ciências, transformadora das relações sociais e trabalhistas, bem como questionadora nos aspectos políticos e jurídicos.
Nomes como Johan Sebastian Bach – o músico , Blaise Pascal – o cientista, Rembrandt – O pintor, William Wilberforce – o estadista e parlamentar inglês, Comenius – o pedagogo, trazem a marca do pensamento da Reforma, que influenciou a sua postura e forma de atuação frente aos desafios de seu tempo.

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Obras citadas (na ordem de referência):

COSTA, Hermisten Maia P. Da. A Reforma Protestante. In: LEMBO, Cláudio. O pensamento de João Calvino. São Paulo: Editora Mackenzie, 2000.

MCGRATH, Alister. Origens intelectuais da Reforma. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.

SOUZA, Rodolfo Amorim Carlos De.Cosmovisão: Evolução do conceito e aplicação cristã. In: CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro de; et. al. Cosmovisão Cristã e Transformação Social. Viçosa: Ultimato, 2006.


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Como [ainda] ser relevante daqui a 500 anos

domingo, 12 de julho de 2009 comentários
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por Allen Porto


No dia 10 de Julho de 1509 nascia João Calvino. Considerado por muitos o maior teólogo da Reforma Protestante, a sua contribuição para a Igreja de Jesus permanece até hoje, dando-nos o exemplo de uma vida bíblica e relevante.

As marcas de sua influência são percebidas ao longo de sua história de vida e de seus escritos.

CORAGEM

Embora de saúde frágil, Calvino foi moldado por Deus para ser um valente lutador pela causa do Evangelho. Não poucas vezes ele se envolveu em debates escritos e disputas teológicas, através das quais foi ousado para a glória de Deus. Quando buscava a paz e a tranqüilidade da vida de escritor, Deus o chamou para ser pastor em Genebra, e assim ele abraçou o ministério com as lutas que viriam.

Ele afirmou: “Um cão late quando seu dono é atacado. Eu seria um covarde se visse a verdade de Deus sendo atacada e permanecesse em silêncio”.

SUBMISSÃO A DEUS

Muitas vezes Calvino precisou deixar a sua vontade de lado para fazer o que Deus deseja. Foi assim com o início do seu ministério como pastor, e isto se tornou marca de sua vida.

Ele escreveu: “Mesmos os santos precisam sentir-se ameaçados por um total colapso das forças humanas a fim de aprenderem de suas próprias fraquezas a depender inteira e unicamente de Deus”.

PERSEVERANÇA

O contexto das adversidades que marcava a Europa do século XVI exigia de um líder cristão muita perseverança. Isto ficou evidente por meio das cartas de Calvino, seu ministério em Genebra e suas lutas pela constante reforma da cidade e da Igreja. Um episódio torna esta perseverança clara: Ele pregava expositivamente as Escrituras, dia após dia, capítulo após capítulo. Foi expulso da cidade pela Igreja, e, três anos depois, quando voltou, convidado pelos mesmos que o expulsaram, retomou o púlpito e continuou a pregar exatamente de onde havia parado.

Ele disse: “e devemos confiar que assim como o nosso Pai nos nutriu hoje, Ele não falhará amanhã”.

FIDELIDADE

A fidelidade à Palavra de Deus era condição essencial para um ministério, segundo Calvino. Reconhecer a autoridade da Palavra é reconhecer a autoridade de Deus sobre o Seu povo.

Ele falou: “a Escritura, recolhendo em nossa mente um conhecimento de Deus de outro modo confuso, desfazendo a fumaça, apresenta-nos claramente o verdadeiro Deus”.

PAIXÃO PELA GLÓRIA DE DEUS

A supremacia e a glória de Deus são temas marcantes na obra do reformador. Seu ministério estava voltado para a exaltação de Jesus, a Quem foi dado o nome sobre todo nome.

A Ele Calvino dedicou a sua vida, e adotou por lema a expressão cor meum tibbi offero, prompte et sincere [Meu coração te ofereço, pronta e sinceramente]

INSERÇÃO NA CULTURA E NA CIDADE

A influência de Calvino e o seu ministério extrapolaram os muros da Igreja e alcançaram Genebra, a Europa, e o Mundo. Calvino contribuiu para melhorias na qualidade de vida dos Suíços em termos trabalhistas, fomentou o surgimento de governos constitucionais e o respeito às garantias individuais, contribuiu para o cuidado com os necessitados de Genebra e os refugiados na cidade, além de preparar e enviar missionários para vários lugares, inclusive para o Brasil em 1555.

Coragem, Submissão a Deus, Perseverança, Fidelidade, Paixão pela glória de Deus, e inserção na cultura e na cidade marcam o Evangelho de Jesus. Vidas assim são bíblicas e relevantes. Tenhamos, pois, tais marcas.
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Reforma e cosmovisão (2)

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por Allen Porto

A área de alcance da Reforma ultrapassa as barreiras da religião, adentrando os diversos campos do conhecimento e da vida humana, atingindo a filosofia, as ciências, a educação, a política, a economia, e o direito. Importante e precisa é a definição de Knudsen (1990, p.14), ao demonstrar o calvinismo como “força cultural”. Conforme este autor, “para Calvino, diferentemente do que ocorria com outros líderes da Reforma, não existe dicotomia entre o Evangelho e a cultura” (KNUDSEN, 1990, p.14).
A pesquisa científica serve aos propósitos de demonstrar a abrangência do movimento do século XVI. Muitos são os estudiosos, nos mais diversos campos do saber, a desenvolverem estudos sobre as implicações da Reforma para as áreas “não-religiosas” da sociedade. Dentre os mais conhecidos está o trabalho de Max Weber – A ética protestante e o espírito do capitalismo. Weber observa o impacto da mentalidade protestante sobre o trabalho, destacando diferenças entre os católicos e os herdeiros de Lutero e Calvino.
Ainda no âmbito das ciências sociais, destacam-se os trabalhos do pesquisador suíço André Bielér – O pensamento social e econômico de Calvino (1990), e A força oculta dos protestantes (1999). Nestes estudos os desdobramentos sociais e políticos do pensamento reformado são percebidos e analisados com rigor científico.
Sobre o Direito, os trabalhos Villey (2005) e Krestchmann (2006) – já referenciados no presente estudo – apresentam-se como importantes fontes de pesquisa, na medida em que destacam o pensamento jurídico oriundo de uma perspectiva protestante.
Cientistas da religião como Costa (2000, p.14) afirmam ser as questões teológicas e eclesiásticas o fundamento e motivo último da Reforma. Ao mesmo tempo, não deixam de reconhecer o envolvimento dos reformadores em outras áreas, como as mencionadas acima.
Novamente se faz necessário questionar sobre o alcance do movimento em análise. Quais os motivos para a amplitude dos desdobramentos da Reforma? O que poderia ser destacado como elemento(s) gerador(es) desta pluralidade?
Para a compreensão destas questões, a obra dos reformadores é de grande ajuda. Calvino (2008, p.13) revela a noção de que o fundamento da existência humana é o relacionamento com Deus.
Não se pode achar nenhum homem, em parte alguma, por mais incivilizado ou selvagem que seja, que não tenha alguma idéia de religião. Isso porque todos nós fomos criados para reconhecer a majestade do nosso Criador e, ao conhecê-la, pensar nela mais elevadamente do que em qualquer outra coisa.

A implicação deste pensamento é que a vida humana em sua totalidade é atingida pela percepção de Deus e Seus preceitos. Conforme tal perspectiva, instituições como a Família e a Sociedade, o Estado e o Direito, a Economia e a Política, as Artes e o Lazer são encaixadas em um sistema pensado em seus pontos de contato com o reconhecimento da majestade Divina. Mesmo a ciência – denominada por muitos como inimiga da religião – foi estimulada pelo pensamento da Reforma, conforme assevera Woortmann (1997, p.80): “A Reforma valorizou a investigação científica”. Hopfl (1995, p.XIX) confirma esta noção ao demonstrar o pensamento integral de Lutero: “no próprio entendimento de Lutero (…) a religião não é uma esfera de vida, uma classe de assuntos, coisas ou questões, mas antes um aspecto de toda esfera de vida, de todos os assuntos, coisas ou questões”.

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Obras citadas (na ordem de referência):
KNUDSEN, Robert D. O calvinismo como uma força cultural. In: REID, Stanford W. Calvino e sua influência no mundo ocidental. São Paulo: Cultura Cristã, 1990.

VILLEY, Michel. A formação do pensamento jurídico moderno. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

KRETSCHMANN, Ângela. História crítica do sistema jurídico: da prudência antiga à ciência moderna. Rio de Janeiro: Renovar, 2006.

COSTA, Hermisten Maia P. Da. A Reforma Protestante. In: LEMBO, Cláudio. O pensamento de João Calvino. São Paulo: Editora Mackenzie, 2000.

CALVINO, João. A verdade para todos os tempos: Um breve esboço da fé cristã. São Paulo: PES, 2008.

WOORTMANN, Klaas. Religião e ciência no Renascimento. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1997.

HOPFL, Harro. Introdução. In: LUTERO, Martinho e CALVINO, João. Sobre a autoridade secular. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
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Reforma e cosmovisão (1)

sábado, 11 de julho de 2009 comentários
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por Allen Porto

A idéia comum ao se mencionar a expressão “Reforma Protestante” é de algo simplesmente religioso, voltado para os elementos espirituais, etéreos e, portanto, desconectado da realidade concreta.
Não se nega, em nenhuma instância, a relação deste fato histórico com a religião e religiosidade do século XVI, sem mencionar seus desdobramentos subseqüentes sobre os aspectos teológicos e eclesiásticos.
A pergunta a ser observada, contudo, é se o escopo deste movimento se esgota no âmbito metafísico. Falar em Reforma Protestante significa se restringir a comentários exclusivamente teológicos? Uma observação cautelosa do ponto de vista da lógica, da história e da pesquisa científica revelará que a resposta adequada para a pergunta acima é negativa.
Primeiramente se destaca que esta separação entre os itens religiosos – abstratos, etéreos e distantes da vida comum – e os itens regulares da sociedade é rejeitada pelo pensamento dos reformadores. Kuyper (2002, p. 26) afirma ser o calvinismo um método diferenciado de existência, e não propriamente de religião.
(...) Mas ao lado do Romanismo, e em oposição a ele, surge o Calvinismo, não simplesmente para criar uma forma de Igreja diferente, mas uma forma inteiramente diferente para a vida humana, para suprir a sociedade humana com um método diferente de existência e para povoar o mundo do coração humano com ideais e concepções diferentes.

Leite e Leite (2006, pp. 30), ao observarem o pensamento de Nicholas Wolterstoff, chegam a conclusão semelhante à de Kuyper, destacando o papel social da Reforma Protestante.
Nicholas Wolterstoff descreveu a forma calvinista de religião como tendo caráter formativo, em oposição ao cristianismo medieval, que seria predominantemente avertivo, isto é, voltado para o mundo celestial. O puritanismo era formativo porque nele o interesse religioso se voltava para a realização de tarefas terrenas e para a reforma social. Segundo ele, mais do que o luteranismo, o calvinismo incorporou o caráter formativo da religião bíblica e dirigiu-o contra a igreja e contra o Estado, rejeitando, simultaneamente, a separação luterana entre a fé e a política, a confusão católica entre igreja e Estado, e a negação anabatista da legitimidade do poder temporal. Surgiu assim, no clímax da Reforma, uma forma de cristianismo profundamente intramundana e dedicada à aplicação da Palavra de Deus a todas as áreas da vida.

As implicações deste “envolvimento intramundano” são demonstradas pelos mesmos autores ao mencionarem o caso específico da vocação (LEITE e LEITE, 2006, pp. 33 e 34). Neste sentido, mais do que pensamentos sobre religião, a Reforma pensou o trabalho e sua função na sociedade.
Cada vocação se tornou, assim, uma esfera de serviço e reforma, para a glória de Deus. A dona de casa, o comerciante e o sapateiro tornaram-se, em suas tarefas, ministros de Deus; o engajamento econômico, político, científico e artístico recebeu novo alento, informado por um ardor verdadeiramente religioso. Mais do que isso, o próprio ordenamento social tornou-se objeto de reflexão e ação transformadora, colocando a história em um firme movimento de reforma social, que continua ainda hoje.

Isto demonstra como o pensamento e a práxis dos reformadores estavam distantes da noção fragmentada que acompanha a mentalidade comum sobre a questão.
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Obras citadas (na ordem de referência):

KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

LEITE, Cláudio Antônio Cardoso e LEITE, Fernando Antônio Cardoso. Evangélicos ou evangélicos? A igreja brasileira entre os exemplos do passado e o dilema do presente. In: CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro de; et. al. Cosmovisão Cristã e Transformação Social. Viçosa: Ultimato, 2006.

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Por Ele e Para Ele: a singularidade de Jesus e a pluralidade contemporânea

segunda-feira, 4 de maio de 2009 comentários
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Mensagem pregada hoje, na Igreja Batista Renascença.




Baixe o mp3 aqui.
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