Despertar a consciência crítica e profética dos jovens cristãos, para que vivam consistentemente a partir da cosmovisão bíblica.

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Missões e(m) Crise [2]

quarta-feira, 4 de novembro de 2009 comentários
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Continuação, por Allen Porto


  1. O ESQUERDISMO

A militância de esquerda também invadiu os arraiais de grupos evangelísticos e missionários. Para um líder de minha cidade, que exerce grande influência sobre um grupo de evangelismo universitário, a Reforma legítima foi a dos anabatistas, que buscaram a revolução como meio de transformação social.

Isso ilustra o cenário das missões entre jovens. Como a mentalidade da esquerda invadiu as universidades nacionais, foi assimilada pelos missionários, que, ao buscarem implementar sua visão de reino, importaram padrões socialistas/comunistas/marxistas.

O movimento missionário como desbravador de novos campos, inclusive nas missões urbanas, exigiu pessoas de caráter mais engajado e ativo, muitas das quais possuíam a ideologia marxista[3] como base de seu comportamento “revolucionário”.

Uma simples pesquisa na internet mostra o ponto: O site da JOCUM – DF, está recheado de artigos em prol do movimento estudantil[4], ecologismo[5], revanchismo pós-ditadura e antimilitarismo[6].

No podcast que flerta com a igreja emergente, o renovatio cafe, há uma entrevista com Douglas Rezende, da rede FALE[7], na qual são reforçados conceitos do esquerdismo, com o apoio ao grupo revolucionário de esquerda, o MST. O diálogo entre os interlocutores demonstra total concordância sobre o assunto, como se fosse verdade pacífica e absoluta sobre a questão.

O blog do ex-jocumeiro Gito[8] é outra pérola do esquerdismo missionário. Ali são divulgados vídeos de Michael Moore[9] (mesmo que os seus documentários tenham sido desmentidos publicamente), e pensamentos de outros ícones do ideário marxista, como Frei Betto, Leonardo Boff, e cia[10].

Há preço a ser pago por esta infusão de esquerdismo no sangue missionário. As idéias estão relacionadas, e uma perspectiva marxista aplicada ao contexto de missões reduzirá a compreensão da religião, do evangelho, da política, e da realidade social. O marxismo é um pacote de idéias, que traz consigo implicações para o todo da vida. Mais ainda: os resultados desta cosmovisão para o evangelho foram trágicos em todas as suas aplicações históricas.

Ninguém aprendeu essa lição?

Ainda assim, o grupo da Avalanche Missões Urbanas Underground [11]– parceiro da visão dos missionários acima – vai oferecer um curso de política e história. Mais uma escola para a doutrinação esquerdista de missionários.





[3] Para uma análise cristã e pressuposicionalista sobre o marxismo, cf. NORTH, Gary. La Religión Revolucionaria de Marx: La regeneración por medio del caos. Tyler, Texas: Instituto para la Economia Cristiana, 1990. North afirma, sem meias palavras, que “Entre o cristianismo e o marxismo não pode haver um diálogo significativo. [...] Nem o marxista nem o cristão consistentes podem esperar que haja uma reconciliação entre os dois sistemas; é uma questão de guerra intelectual sem trégua. [...] A questão é basicamente um conflito na esfera da fé” (p.2, tradução livre).

[4] http://www.jocumdf.com/artigos/o-movimento-estudantil-na-historia-do-brasil/

[5] http://www.jocumdf.com/artigos/ecologia-e-cristianismo/

[6] http://www.jocumdf.com/destaques/impacto-7-de-setembro/

[7] http://www.renovatiocafe.com/index.php/Table/Renovatio-Cafe/Podcast/.vDouglas Rezende é articulador da "rede FALE" em Curitiba, e membro do grupo “Evangélicos Pela Justiça”. A rede FALE tem estabelecido parcerias com a ABU – cf. http://redefale.blogspot.com/2009/08/fale-nos-cursos-de-ferias-da-abub.html.

[8] http://giito.blogspot.com/

[9] http://giito.blogspot.com/2009/07/michael-moore-em-cuba.html

[10] Cf. o vídeo simpatizante do comunismo no post de 11 de Setembro.

[11] http://www.avalanchemissoes.org/

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Missões e(m) crise [6]

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto

CONCLUSÃO: Uma questão de visões de mundo

O debate sobre as práticas de missionários isolados, equipes missionárias e todos tratados ao longo desta análise indica algo maior, que perpassa as condutas erradas – a perspectiva errada sobre a realidade, ou sobre determinada parte da realidade.

Nesse sentido, não é saudável apenas abandonar as práticas arminianas, como as estratégias de convencimento e persuasão pura e simplesmente, ou os elementos esquerdistas, como panfletos e protestos “contra o sistema”, ou ainda os discursos que revelam o cientificismo.

O problema é maior, e deve ser trabalhado na raiz: a luta de cosmovisões existentes na adoção de tais práticas. Não basta rasgar os panfletos revolucionários, é preciso compreender a perspectiva bíblica sobre o governo e o papel do cristão. Não basta rejeitar folhetos arminianos, é preciso perceber e adotar uma visão bíblica da salvação. Não basta começar práticas isoladas de resistência em um ou outro item, se a visão unificadora de mundo não brotar das Escrituras.

Enquanto a mentalidade de missionários estudantis caminhar lado a lado com noções anti-bíblicas a respeito da ciência, do Estado, da salvação, e do Evangelho como um todo, mesmo os seus esforços para resistir determinadas práticas será inútil, pois em outro momento a visão de mundo distorcida se mostrará em toda a sua força.

Qual a proposta para os problemas levantados? Uma revisão profunda da cosmovisão dos missionários e suas instituições. Uma reciclagem bíblico-teológica que envolva cada aspecto da vida. Um auto-exame honesto (doloroso) e constante, a fim de adotar uma percepção da realidade segundo a Palavra de Deus.

Não é suficiente listas novas “regras de evangelização” – é preciso pensar biblicamente. Só assim a prática verdadeiramente missionária será resgatada, os cristãos viverão um estilo de vida missional, e a crise se transformará em saúde.
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Missões e(m) crise [5]

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto

5 A REDUÇÃO DO EVANGELHO A QUESTÕES SOCIAIS

Este último problema a ser comentado decorre de outros dois anteriores. A redução do evangelho a práticas sociais, como a ajuda aos pobres, é fruto da «esquerdização» do evangelho, bem como do irracionalismo da neo-ortodoxia.

Alister McGrath[24] demonstra o perigo do marxismo em sua filosofia materialista: «idéias, incluindo as religiosas, são respostas à realidade material». O materialismo, pressuposto da perspectiva esquerdista, leva as suas implicações para aqueles que desejam fazer síntese entre o evangelho e o esquerdismo. Como consequência, a esfera sobrenatural e metafísica vai perdendo o lugar – embora ainda esteja presente nos credos – e sendo substituída por uma visão cada vez mais centrada nas necessidades materiais e terrenas do homem.

Lenin[25] afirmou que «o trabalhador de hoje que possui consciência de classe [...] deixa o céu para os sacerdotes e burgueses hipócritas. Ele luta por uma vida melhor para si mesmo, aqui na terra». Esta visão é assimilada por jovens evangelistas, cuja pregação está voltada para temas da agenda ideológica, sem muita preocupação com a eternidade e a alma humana. Preocupam-se tanto com a transformação terrena que esquecem de falar de arrependimento e conversão. Amam tanto os oprimidos, que conferem-lhes o grau de santos, independemente de sua confissão e prática.

A influência da teologia da libertação neste quesito é notável. Embora ainda se considerem evangélicos, e assim mantenham certa distância dos autores de outras igrejas, homens como Leonardo Boff, Frei Betto e cia. são vistos como heróis por seu engajamento social. A teologia deles é recebida e legitimada por sua prática nas lutas humanas[26]. Gary North[27] trata da teologia da libertação como uma religião política – uma adaptação do marxismo à esfera religiosa, em prol do comunismo. Stanley Grenz[28] descreve o pensamento do teólogo Gustavo Gutiérrez como uma linhaque busca a reinterpretação da salvação: «Nos dias de hoje, especialmente na América Latina, a salvação deve ser reinterpretada em termos qualitativos – como um compromisso com a transformação social –, pois esta é a 'única maneira de termos um encontro com Deus'».

A neo-ortodoxia também caminha para o «evangelho social». Não é difícil traçar o caminho trilhado neste campo: aceita-se a contradição como natural no evangelho, e assim a noção de verdade é destruída. Uma vez perdida a verdade, as certezas se vão, uma após a outra, até sobrar apenas uma expressão social do evangelho – a única manifestação palpável de alguma crença.

Não importa mais a discussão de doutrinas e o ensinamento de «bases da fé». O que resta é a ação em direção aos nossos semelhantes. O existencialismo adotado por teólogos desta linha se adequa perfeitamente a esta noção, que busca se aproximar do homem e compreendê-lo em suas crises existenciais.

O que melhor para ajudar o homem de maneira «concreta», do que o auxílio financeiro ou algo desta ordem?

E assim o evangelismo deixa de ser a proclamação da verdade salvadora de Deus, para se transformar em um conjunto de práticas sociais, destituídas de qualquer mensagem: a prática pela prática.

______________________________________
[24]MCGRATH, Alister. Apologética Cristã no século XXI. São Paulo: Vida, 2008.p.273.
[25] LENIN apud. MCGRATH, Alister.Op. Cit., p.275.
[26] Cf. O tópico «esquerdismo», que demonstra sites de missionários que recomendam a leitura dos teólogos da libertação.
[27] NORTH, Gary. Liberando la tierra ¿Regeneración o revolución? Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1987.
[28] GRENZ, Stanley. A Teologia do Século XX: Deus e o mundo numa era de transição. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p.265.

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Missões e(m) crise [4]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto
  1. O ANTI-INTELECTUALISMO

Enquanto existem pessoas comprometendo o Evangelho com o cientificismo, há outro extremo adotado por grupos de missões estudantis. Diametralmente oposto ao «racionalismo cientificista» está o anti-intelectualismo.

Não se questiona a intenção de tais missionários/evangelistas. Muitos são sinceros em sua abordagem, outros apenas assimilaram algumas premissas pós-modernas, e assim a síntese entre perspectivas antibíblicas e o evangelho é realizada – com prejuízo para o cristianismo.

John Stott[16] fala de cristãos que possuem «zelo sem conhecimento, entusiasmo sem esclarecimento». Segundo sua análise[17],

o espírito de anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno multiplicam-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: 'é verdade?' mas sim: 'será que funciona?'. Os jovens têm a tendência de ser ativistas, dedicados na defesa de uma causa, todavia nem sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou se o modo como procedem é o melhor meio para alcançá-lo.

Com o pragmatismo, Stott[18] denuncia também a tendência anti-intelectual de alguns grupos pentecostais, que colocam a experiência acima da revelação. Muitos jovens em movimentos estudantis participam de igrejas com tal perspectiva, e assim, no desejo evangelístico, rejeitam o conhecimento na alegação de «revelações» e outras experiências mágicas.

Outro John, agora o MacArthur[19] demonstra como o pós-modernismo também influencia a mentalidade contemporânea. A idéia de contradição parece ser rejeitada pela perspectiva do pós-modernismo.

As pessoas da atualidade são ensinadas a glorificar a contradição, a abraçar o que é absurdo, a preferir o que é sujetivo e a permitir que os sentimentos (em vez do intelecto) determinem o que eles crêem. Elas são ensinadas a não rejeitar idéias apenas porque contradizem o que nós aceitamos ser verdadeiro. E elas são até mesmo encorajadas a abraçar conceitos contraditórios e mostrar-lhes o mesmo respeito como se fossem verdadeiros. Tal irracionalidade não nada menos do que rejeitar o conceito da verdade.

Sua argumentação também envolve algo da teologia contemporânea, ou da Nova Teologia, como a chamava Francis Schaeffer[20]. A confusão sobre a «racionalidade da verdade» tem apoio na neo-ortodoxia, para MacArthur[21]:

Os teólogos neo-ortodoxos insistiam que o Cristianismo é um sistema de crença irracional – uma religião do 'paradoxo'. O que eles estavam realmente dizendo é que o Cristianismo é cheio de contradições.Paradoxo é uma designação errônea no sentido em que eles o usavam. [...] quando os neo-ortodoxos usam o termo paradoxo eles estão falando de uma contradição real. Eles consideram toda verdade como irracional, contraditória e absurda à mente lógica. No sistema deles, fé implica no abandono da lógica. É um pulo cego no abismo do irracionalismo. Eles emprestaram seu irracionalismo da filosofia existencial e fizeram dele uma marca registrada de sua teologia. Ao fazer isto, eles lançaram fundamentos para uma versão pós-moderna do Cristianismo.

A teologia existencialista ganha espaço entre os jovens cristãos, que flertam com aspectos da teologia Barthiana, com Paul Tillich, e agora com conceitos da Igreja Emergente, representados por Brian Mclaren e Rob Bell.

Somos, assim, forçados a concordar com Harry Blamires[22], que afirmou categoricamente: «Não existe mais uma mente cristã». Sem tal racionalidade, somos deixados à mercê de iniciativas ingênuas e infrutíferas, pois, ou não comunicam ao jovem universitário por rejeitarem a abordagem racional, ou são inúteis por se renderem diante da mentalidade relativista, destruindo a perspectiva do Evangelho como verdade, e tornando-o apenas mais uma opção no mercado da espiritualidade.[23]

_________________

[16] STOTT, John. Crer é também pensar. 2.ed. São Paulo: ABU editora, 2001. p.7

[17] Ibid.

[18] Ibid., p. 9.

[19] MACARTHUR JR., John. Princípios para uma cosmovisão bíblica: uma mensagem exclusivista para um mundo pluralista. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.

[20] SCHAEFFER, Francis. O Deus que intervém. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

[21] MACARTHUR JR., John. Op. Cit., p. 43.

[22] BLAMIRES, Harry. A mente cristã: como um cristão deve pensar?. São Paulo: Shedd Publicações, 2006.

[23] Para mais leituras sobre o assunto, cf. MACGRATH, Alister. Apologética Cristã no século XXI. São Paulo: Vida, 2008.; MACARTHUR, John. The Truth War: fighting for certainity in an age of deception. Nashville: Thomas Nelson, 2007. (há uma tradução desta obra para o português, pela editora Fiel); NASH, Ronald. Questões últimas da vida: uma introdução à filosofia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. Para um diagnóstico do declínio intelectual dos nossos tempos, cf. BLOOM, Alan. O declínio da cultura ocidental: da crise da universidade à crise da sociedade. São Paulo: Best Seller, 1989.

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Missões e(m) crise [3]

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto

  3. O CIENTIFICISMO

Por cientificismo, refiro-me à perspectiva que define o conhecimento científico como padrão último da realidade, rejeitando qualquer proposição não atestada cientificamente.

Alguns jovens cristãos, com o profundo desejo de adotarem uma abordagem relevante para os universitários, acabam por utilizar o método científico conhecido dos estudantes. Buscam os “pontos de contato” entre a ciência e a fé cristã, a fim de afirmar que o cristianismo é verdadeiro.

Ainda nesta corrente, outros jovens modificam a sua leitura da Bíblia, condicionando-a às teorias e perspectivas de autores das ciências sociais, biologia, entre outros campos.

Há, assim, dois erros básicos que partem do mesmo princípio: (1) A ciência é colocada como superior ao cristianismo, sendo o elemento que tem autoridade para legitimá-lo ou não; e (2) os temas levantados pela Escritura devem ser entendidos à luz do que a ciência afirma. Um erro vem antes do contato com o Evangelho, o outro vem depois.

Por trás destes exemplos repousa a mentalidade dicotômica da modernidade: A religião trata de valores, enquanto a ciência lida com fatos[12]. Entre fatos e valores, o que é mais confiável? Sem dúvida, os fatos. A sutileza desta perspectiva pega desprevenidos mesmos cristãos ortodoxos. Como demonstra Nancy Pearcey[13], esta cosmovisão tem sido trabalhada em nós desde a infância, de modo que se torna difícil romper com tal dualidade[14].

Quem lida com universitários ou deseja dialogar com o pensamento científico deveria compreender que nenhuma teoria possui a neutralidade afirmada – todas possuem um ponto de partida que revela pressuposições de rebelião ou submissão a Deus[15].

O cientificismo destrói a iniciativa evangelística porque ele coloca a ciência acima do cristianismo – e assim o cristianismo se torna dispensável (por haver algo melhor) –, ou por destruir a interpretação fiel da Escritura – a mensagem salvadora de Deus, na qual está o Evangelho.




[12] Cf. PEARCEY, Nancy. Verdade absoluta: libertando o cristianismo do seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p.23

[13] Ibid.

[14] Pearcey (2006) trabalha com os dualismos secular/sagrado, fato/valor e público/particular.

[15] Para mais leituras sobre o assunto, cf. SIRE, James. O universo ao lado. São Paulo: Hagnos, 2004; CRAMPTON, Gary; e BACON, Richard. Em direção a uma cosmovisão cristã. Brasília: Publicações Monergismo, 2009.



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Missões e(m) Crise [2]

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 comentários: 7
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Continuação, por Allen Porto


  1. O ESQUERDISMO

A militância de esquerda também invadiu os arraiais de grupos evangelísticos e missionários. Para um líder de minha cidade, que exerce grande influência sobre um grupo de evangelismo universitário, a Reforma legítima foi a dos anabatistas, que buscaram a revolução como meio de transformação social.

Isso ilustra o cenário das missões entre jovens. Como a mentalidade da esquerda invadiu as universidades nacionais, foi assimilada pelos missionários, que, ao buscarem implementar sua visão de reino, importaram padrões socialistas/comunistas/marxistas.

O movimento missionário como desbravador de novos campos, inclusive nas missões urbanas, exigiu pessoas de caráter mais engajado e ativo, muitas das quais possuíam a ideologia marxista[3] como base de seu comportamento “revolucionário”.

Uma simples pesquisa na internet mostra o ponto: O site da JOCUM – DF, está recheado de artigos em prol do movimento estudantil[4], ecologismo[5], revanchismo pós-ditadura e antimilitarismo[6].

No podcast que flerta com a igreja emergente, o renovatio cafe, há uma entrevista com Douglas Rezende, da rede FALE[7], ligada a movimentos como a ABU, na qual são reforçados conceitos do esquerdismo, com o apoio a grupos criminosos, como os sem-terra. O diálogo entre os interlocutores demonstra total concordância sobre o assunto, e rejeição de quem discorda, considerados “antiquados” ou desinformados.

O blog do jocumeiro Gito[8] é outra pérola do esquerdismo missionário. Ali são divulgados vídeos de Michael Moore[9] (mesmo que os seus documentários tenham sido desmentidos publicamente), e pensamentos de outros ícones do ideário marxista, como Frei Betto, Leonardo Boff, e cia[10].

Há preço a ser pago por esta infusão de esquerdismo no sangue missionário. As idéias estão relacionadas, e uma perspectiva marxista aplicada ao contexto de missões reduzirá a compreensão da religião, do evangelho, da política, e da realidade social. O marxismo é um pacote de idéias, que traz consigo implicações para o todo da vida. Mais ainda: os resultados desta cosmovisão para o evangelho foram trágicos em todas as suas aplicações históricas.

Ninguém aprendeu essa lição?

Ainda assim, o grupo da Avalanche Missões Urbanas Underground [11]– parceiro da visão dos missionários acima – vai oferecer um curso de política e história. Mais uma escola para a doutrinação esquerdista de missionários.





[3] Para uma análise cristã e pressuposicionalista sobre o marxismo, cf. NORTH, Gary. La Religión Revolucionaria de Marx: La regeneración por medio del caos. Tyler, Texas: Instituto para la Economia Cristiana, 1990. North afirma, sem meias palavras, que “Entre o cristianismo e o marxismo não pode haver um diálogo significativo. [...] Nem o marxista nem o cristão consistentes podem esperar que haja uma reconciliação entre os dois sistemas; é uma questão de guerra intelectual sem trégua. [...] A questão é basicamente um conflito na esfera da fé” (p.2, tradução livre).

[4] http://www.jocumdf.com/artigos/o-movimento-estudantil-na-historia-do-brasil/

[5] http://www.jocumdf.com/artigos/ecologia-e-cristianismo/

[6] http://www.jocumdf.com/destaques/impacto-7-de-setembro/

[7] http://www.renovatiocafe.com/index.php/Table/Renovatio-Cafe/Podcast/

[8] http://giito.blogspot.com/

[9] http://giito.blogspot.com/2009/07/michael-moore-em-cuba.html

[10] Cf. o vídeo simpatizante do comunismo no post de 11 de Setembro.

[11] http://www.avalanchemissoes.org/

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Missões e(m) crise [1]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009 comentários
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continuação, por Allen Porto
1. O ARMINIANISMO

Há sério problema no evangelismo arminiano¹ . Considerando o homem capaz de se mover em direção a Deus, o arminianismo adota técnicas e estratégias para fazer o interlocutor “tomar uma decisão”.

Neste esquema se encontram os clichês comuns do evangelicalismo – do “Jesus te ama” ao “você sabe se vai estar vivo amanhã?”, passando pelo “já pensou o que é ficar a eternidade no inferno?”.

A argumentação é voltada para o convencimento, e por isso pode ceder à tentação de utilizar estratégias desonestas de persuasão. Seja a pressão emocional, o constrangimento, a súplica, ou a enganação, tudo é válido para salvar pessoas.

O contraponto bíblico para esta perspectiva repousa sobre o fato de que o homem não é considerado capaz de “tomar uma decisão” em direção a Deus no que diz respeito à sua salvação². A Escritura demonstra a depravação da humanidade, e indica a escravidão do homem ao pecado e sua rebeldia contra Deus.

A menos que Deus opere no indivíduo, rompendo a rebeldia e habilitando o homem a amá-lO, a salvação é impossível. Como Deus faz isso? Por meio da ação do Espírito Santo na pregação.

Portanto, a perspectiva adequada do evangelismo é a salvação, mas não para o convencimento do homem, e sim para a operação do Espírito no indivíduo. Deus é quem salva, o homem não liberta a si mesmo.




¹O arminianismo é definido pelo Dicionário de Teologia – Edição de Bolso (GRENZ et. al., 2000) como “sistema teológico desenvolvido sobretudo em reação às visões luterana e principalmente calvinista a respeito da doutrina da predestinação”. Segundo a descrição de Anglada (2000), “o arminianismo defende o livre-arbítrio ou a capacidade humana” (p.4); “crê na eleição condicional; na eleição baseada na presciência de Deus” (p.5); “crê na expiação geral (redenção universal)” (p.6); “crê na graça resistível. Ou seja, que depende do pecador permitir que a graça de Deus o alcance, ou resistir a ela” (p.6); e “os arminianos crêem na instabilidade da salvação; que a salvação pode durar, ou não, dependendo da própria determinação humana” (p.7). – Para consulta: GRENZ, Stanley, et. al. Dicionário de Teologia - Edição de Bolso. São Paulo: Vida, 2000. ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As antigas doutrinas da Graça. 2. ed. São Paulo: Os Puritanos, 2000.

²Cf. textos que demonstram a inaptidão humana ou a perversão das faculdades do homem: Gn.8.21; Sl.14.2; Sl.51.5; Sl.58.3; Jr.17.9; Jo. 8.34; Jo.5.40; Rm.3.9-12; 1Co.2.14; Ef.2.1,5; 2Co.4.4, entre outros.

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Missões e(m) Crise [0]

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Por Allen Porto

A minha história com movimentos de evangelismo/missões não é tão intensa, mas tem os seus registros. Ainda criança, participei do grupo de missões estudantis chamado Siloé, que funciona em um colégio batista da cidade. O grupo é um tipo de ABS (aliança bíblica secundarista) em menores proporções. Na universidade, participei de encontros do Alfa e Ômega, conversei (pouco) com o grupo Caminho (estudantes de medicina da UFMA), e finalmente tive mais contato com os integrantes da ABU.

Tive, também, a oportunidade de dialogar com o pessoal das missões urbanas, especialmente os envolvidos com tribos e a galera underground. Em tal contexto, o Christian Metal Force e a Comunidade Zadoque tiveram maior destaque entre os meus contatos.

A paixão pelo evangelismo e o vigor missionário me impressionaram em muitos desses círculos. O desejo de ver pessoas glorificando a Deus, e o engajamento pessoal e compromisso em alto nível foram características marcantes desses jovens.

Vigor e empolgação não são tudo. A boa intenção que acompanha tais grupos, nem sempre é acompanhada de uma boa direção. Aqui surge o maior problema – em nível teológico, teórico ou metodológico, existem consideráveis dificuldades que podem atrapalhar consideravelmente a atividade missionária.

Tratemos, então, de observar e comentar alguns dos equívocos comuns e perigosos:

1. O arminianismo
2. O esquerdismo
3. O cientificismo
4. O anti-intelectualismo
5. A redução do evangelho a questões sociais
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É para fazermos seguindo o modelo

segunda-feira, 4 de maio de 2009 comentários
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Temendo outro tumulto público em Beréia por causa da Palavra de Deus anunciada, Paulo foi levado para Atenas, onde aguardaria Silas e Timóteo para, então, prosseguir a segunda viagem missionária. A idolatria reinante em Atenas provocou a ira santa do apóstolo. O zelo pela glória do Nosso Senhor o levou a compartilhar as boas novas com pessoas religiosas na sinagoga, transeuntes na praça e filósofos no Areópago, proclamando Deus em toda a sua plenitude, relacionando-O com a natureza, a história e a existência humana. Como bem demonstra essa passagem (At 17.16-34), Paulo foi um homem que viveu a totalidade do seu tempo para a glória de Deus e apresentava o evangelho como uma cosmovisão.

A Bíblia constitui o pronunciamento divino. Embora tenha sido escrita em épocas remotas, ela se mantém atual porque os desígnios do Autor da Bíblia são imutáveis, seus pensamentos sobre a vida humana não se alteram. O Livro Sagrado nos diz o que se deve crer e o que devemos fazer. Desse modo, servir a Deus significa obedecer a Bíblia. As trajetórias de alguns servos de Deus foram registradas nas Sagradas Escrituras para que, iluminados pelo Espírito Santo, extraíssemos lições para orientar a nossa caminhada, alertando também os perigos.

Paulo levanta-se no meio do Areópago, motivado pelo zelo da glória de Deus, e inicia um discurso no qual ele demonstra os erros da idolatria e exorta os seus ouvintes a colocarem o Nosso Senhor no lugar de suprema honra. A vida humana só têm sentido quando a glória de Deus está no centro, pois fomos criados para glorificá-Lo. O ciúme santo é próprio dos verdadeiros servos de Deus. A mente humana depravada pelo pecado está entorpecida por filosofias que rivalizam com a cosmovisão cristã. É importante conhecermos para que possamos combatê-las, contribuindo para uma maior eficácia nos nossos esforços para o cumprimento da comissão cultural e da grande comissão.

Quando Paulo faz um apelo ao arrependimento face à inevitabilidade do julgamento divino, aludindo à obra redentora de Cristo, a reunião encerra-se abruptamente com a platéia dividida: uns zombam, outros crêem. Depois disto, Paulo dirige-se para Corinto, continuando a anunciar Jesus. É impossível pregar o Evangelho sem proclamar a Cristo. A dádiva da vida nova é condicionada ao arrependimento e à fé. Deus nos comissionou para continuar a obra de Cristo, que só findará quando formos para o descanso eterno dos santos.

À Igreja foi entregue a Palavra de Deus, sendo exortada a “batalhar, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue ao santos” (Jd 1.3), conservando-a em seus ensinamentos e prática. Não podemos resistir à ação sondadora da nossa consciência, que age em comissão com o Espírito Santo, visando nos limpar de “toda impureza e acúmulo de maldade”, não permitindo que enganemos a nós mesmos, a fim de que sejamos praticantes da Palavra, conformando-nos à vontade do Pai revelada nas Sagradas Escrituras. A glória de Deus é a principal motivação para a evangelização. Fé sem arrependimento não representa a mensagem cristã. Um evangelho centrado no homem é próprio de um “Corpo de Cristo” dilacerado de sua Cabeça, gerando adesistas. Deus é o Governador das Nações, estabelecendo princípios para reger a vida da sociedade. Cosmovisões que desprezam a Deus como elemento fundamental da realidade têm predominado no mundo. Como bem disse Charles Colson: “Somos ordenados a pregar as boas novas e a trazer todas as coisas à submissão da ordem de Deus, defendendo e vivendo a verdade dEle nas condições históricas e culturais e inigualáveis do nosso século”. O preço do discipulado não foi pago por aqueles que se tornaram dependentes das agendas da igreja, reservando um pequeno tempo para uma obra que se quer a toda hora. Jesus disse: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20).

Nos dias atuais, a proclamação do evangelho é feita de acordo com a vontade de Deus? Temos cumprido a comissão cultural? A glória de Deus é a primeira coisa em sua vida? Face à realidade que grassa por aí, Paulo se constitui um desafio para nós, embora devesse ser um exemplo a ser emulado porque seguiu os passos de Cristo.

Precisamos examinar constantemente como estamos vivendo e realizando a obra do Senhor, pois o desejo maior, a principal preocupação do verdadeiro crente é conhecer melhor a Deus, em amá-Lo mais verdadeiramente, em servi-Lo corretamente, em glorificá-Lo e em usufruir Dele. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21).
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